Edifícios saudáveis e método Fitwel_ estratégia de valor no mercado imobiliário_

Edifícios saudáveis e método Fitwel: estratégia de valor no mercado imobiliário 

Existe uma frase que Joanna Frank, CEO da Active Design Advisors, usou na carta de parabenização aos vencedores do Best in Building Health 2026, e que merece ser lida com atenção: “Health is no longer a feature. It is infrastructure. It is no longer a trend. It is strategy.’’ – ou, em português: ‘’A saúde deixou de ser um recurso. É infraestrutura. Deixou de ser tendência. É estratégia.’’

Não é retórica de convenção. É a descrição de um movimento que, em menos de uma década, reorganizou as prioridades de alguns dos maiores portfólios imobiliários do mundo – e que agora bate à porta de incorporadoras, gestoras e fundos que ainda tratam o tema como pauta de sustentabilidade periférica.

Em todo o setor imobiliário global, a saúde predial deixou de ser um adicional de projeto e passou a ser um eixo de proteção de valor, gestão de risco e desempenho ESG. Isso se traduz em métricas concretas: impacto direto nas taxas de ocupação, na percepção de investidores institucionais, na retenção de inquilinos e na capacidade de um ativo sustentar sua precificação ao longo do tempo – especialmente em ciclos de estresse regulatório e climático.

O que os dados de 2026 revelam é que esse movimento chegou à maturidade. Não estamos mais falando de pioneiros ousados. Estamos falando de padrão de mercado.

O que é Fitwel e por que o prêmio Best in Building Health importa 

O Fitwel é operado pela Active Design Advisors e funciona como o principal sistema global de edifícios saudáveis. É uma plataforma de dados e metodologia com scorecards específicos para diferentes tipologias: escritórios comerciais, residencial multifamily, varejo, comunidades, senior housing…

A lógica do método é simples na superfície, mas poderosa na operação: ele avalia como o ambiente construído (desde a disposição das escadas até a qualidade do ar interno e o acesso a espaços de convívio) impacta a saúde, a qualidade de vida e a produtividade das pessoas que usam aquele edifício. Cada decisão de projeto ou de operação que favorece a saúde recebe pontuação. O scorecard resultante é a expressão quantificada desse inventário – e é o que permite comparar, evoluir e reportar desempenho ao longo do tempo.

Desde 2018, o prêmio Best in Building Health reconhece anualmente as organizações e projetos que mais avançaram nesse movimento – não apenas pelos números, mas pela consistência estratégica com que integram a saúde. Em 2026, os vencedores foram anunciados em 26 de março e revelaram algo mais do que uma lista de projetos exemplares: revelaram para onde o mercado está caminhando.

O que os vencedores de 2026 têm em comum: escala, dados e visão de longo prazo 

Olhar para os vencedores do Best in Building Health 2026 com curiosidade analítica é mais revelador do que qualquer projeção de tendência.

O primeiro dado que chama atenção é geográfico. O Fitwel (historicamente concentrado nos Estados Unidos) está se tornando genuinamente global. Os vencedores deste ano incluem projetos no Reino Unido, Emirados Árabes (Abu Dhabi), Tailândia, Canadá, Brasil, Costa Rica e Irlanda – uma diversificação que não é coincidência, mas reflexo de mercados locais respondendo à pressão de investidores internacionais por ativos com credenciais ESG verificáveis.

Na Tailândia, o NEXTOPIA, do grupo Siam Piwat, localizado dentro do complexo do Siam Paragon em Bangkok, se tornou o primeiro projeto de varejo multi-tenant do mundo a receber o prêmio – com a maior pontuação da sua tipologia. Em Abu Dhabi, a Aldar Properties aparece duas vezes na lista, com projetos avaliados em diferentes fases e tipologias.

O segundo padrão que emerge é o da escala de portfólio. Os grandes vencedores não são projetos isolados – são organizações que decidiram tornar a saúde predial uma política sistêmica, aplicável a todos os ativos. BXP e Kilroy Realty receberam reconhecimento por conquistas All-Time, acumuladas ao longo de anos de comprometimento consistente. A Kilroy, em particular, tem hoje 48% de suas propriedades estruturadas com base na metodologia Fitwel e trabalha com a meta de atingir 50% até 2030. A Alexandria Real Estate Equities foi reconhecida com o Fitwel Innovation Award por se tornar a primeira organização a adotar a estratégia de portfólio pela via Star – aplicando diretrizes de saúde previamente aprovadas de forma transversal a múltiplos projetos, com ganho real de eficiência e consistência.

O terceiro padrão é o da renovação contínua como estratégia. Isso precisa ser destacado porque muda o modelo mental do setor. Adotar o método uma vez pode ser uma iniciativa de lançamento. Mantê-lo, monitorar desempenho e renovar os scorecards sistematicamente é uma decisão de gestão – e é exatamente isso que os líderes estão fazendo. A Kilroy recebeu o Impact Award justamente por ter o maior número de projetos com avaliação renovada de todos os tempos. A mensagem é clara: saúde predial não é um carimbo de inauguração. É um compromisso operacional contínuo.

Fitwel Social Performance: quando a saúde vira dado de portfólio 

Se a aplicação do método por edifício é o ponto de entrada, o Fitwel Social Performance é onde a estratégia ganha escala e profundidade analítica.

O Fitwel Social Performance é a resposta do Fitwel a uma demanda que vem crescendo de forma acelerada entre gestores de fundos e investidores institucionais: como quantificar o “S” do ESG de forma rigorosa e padronizada? Como transformar intenção em dado comparável?

A estrutura cruza pesquisa de saúde com dados financeiros para identificar quais estratégias do ambiente construído têm maior impacto, tanto sobre os ocupantes quanto sobre o valor dos ativos. O resultado é um benchmark de portfólio que permite avaliar, comparar e estruturar 100% dos ativos de uma carteira, independentemente da tipologia. Não há pontuação mínima exigida para entrar – o que significa que o Fitwel Social Performance pode ser usado tanto para mapear um portfólio que está começando quanto para aprofundar a análise de um que já aplica a metodologia em ativos individuais.

Na prática, o Fitwel Social Performance resolve um problema que muitos gestores conhecem bem: ter projetos excelentes e um portfólio opaco. Com ele, é possível gerar análises de lacunas por critério “S“, reportar desempenho com dados validados por terceiros, comparar resultados com pares do setor e integrar as métricas de saúde aos relatórios ESG com a mesma solidez que os indicadores ambientais já têm.

No ciclo de premiações de 2026, a Cortland recebeu o Fitwel Scale Impact & Performance Leadership Award por ter o maior número de fundos adotando o Fitwel Social Performance. A BioMed Realty, em parceria com a RE Tech Advisors, foi reconhecida pelo uso do Fitwel Social Performance como estratégia de portfólio. São exemplos de organizações que não esperaram o mercado convergir – elas ajudaram a construir o padrão.

O que isso significa para incorporadoras, gestoras e ocupantes corporativos 

A pergunta prática é inevitável: o que esses movimentos globais têm a ver com o mercado brasileiro e com as decisões de incorporadoras, fundos e empresas que ocupam grandes escritórios aqui?

A resposta começa pelo lado do risco. Ativos que não conseguem demonstrar desempenho em saúde e qualidade de vida têm dificuldade crescente de atrair inquilinos corporativos que já possuem compromissos ESG formalizados – e esses inquilinos estão ficando cada vez mais exigentes. Do lado do capital, investidores institucionais internacionais com exposição ao mercado brasileiro já usam critérios de ESG imobiliário na avaliação de portfólios. Um ativo sem estrutura de saúde reconhecida e validada é, na prática, um ativo com menor liquidez potencial.

Do lado da oportunidade, os benefícios são igualmente concretos. Edifícios que adotam a metodologia Fitwel têm argumentação mais sólida para precificação diferenciada – não como promessa de venda, mas como dado verificado. A diferenciação comercial é mais defensável. A atração e retenção de inquilinos de alto valor é mais previsível. E a narrativa ESG deixa de ser genérica para se tornar específica, mensurável e auditável.

Para empresas que ocupam grandes escritórios, a implementação do método nos espaços se conecta diretamente a agendas de atração de talentos, cultura organizacional e reporte de indicadores sociais para stakeholders. Não é coincidência que Morgan Stanley, Fidelity Investments e Marriott apareçam entre os projetos reconhecidos em 2026 – são empresas que entenderam que o escritório saudável é também um ativo de employer branding.

Conclusão: o custo de esperar 

Há um padrão nos mercados imobiliários que se tornaram referência em saúde predial. Os que chegaram cedo não chegaram porque tinham mais recursos – chegaram porque tomaram a decisão antes que o mercado tornasse a decisão óbvia.

Em 2026, a janela entre “pioneiro” e “padrão” está se fechando. Os vencedores do Best in Building Health deste ano não são startups experimentando algo novo. São BXP, Kilroy, Alexandria, Aldar, Tishman Speyer, Harrison Street – players de renome, com décadas de mercado, que decidiram que edifícios saudáveis não são uma aposta, mas uma posição estratégica.

O Vivo Eco Berrini em São Paulo mostra que o Brasil está no mapa dessa transformação. A questão, agora, é quantos outros ativos brasileiros estarão nesse mapa nos próximos ciclos de premiação.

Hygge: da estratégia à implementação da metodologia Fitwel

A Hygge é especialista em estruturar o método Fitwel dentro da estratégia de lançamento e gestão de empreendimentos de alto padrão. Trabalhamos para que os critérios e diretrizes da metodologia se tornem argumento de produto, narrativa comercial e diferencial verificável – tanto para o comprador final quanto para investidores e inquilinos corporativos.

Se o seu próximo projeto ou portfólio ainda não tem uma estratégia de saúde predial estruturada, este é o momento de construir uma. Fale com a Hygge.